Durante décadas, as cidades do futuro no cinema foram preenchidas por carros voadores, robôs circulando pelas ruas, prédios gigantescos e tecnologias capazes de acompanhar praticamente tudo o que acontecia ao redor.
Boa parte dessas previsões continua pertencendo à ficção. Contudo, algumas ideias ficaram bem menos futuristas.
Sensores urbanos, videomonitoramento inteligente, fibra óptica, Wi-Fi público, iluminação conectada e plataformas que integram informações de diferentes serviços já fazem parte de projetos de Smart Cities.
O futuro não chegou exatamente como Hollywood imaginou. Ainda assim, vale olhar novamente para alguns filmes e perguntar: quais dessas cidades fictícias já têm algo em comum com as nossas?
O que são as cidades do futuro no cinema?
As cidades do futuro no cinema são representações fictícias de como a tecnologia, a arquitetura e o comportamento humano poderiam transformar a vida urbana ao longo do tempo.
Dependendo da história, elas aparecem como lugares extremamente avançados, organizados ou caóticos. Em muitos casos, a tecnologia resolve problemas. Em outros, cria novos.
Por isso, filmes de ficção científica também funcionam como retratos das preocupações de cada época.
Automação, vigilância, inteligência artificial, mobilidade, concentração populacional e integração tecnológica aparecem repetidamente nessas histórias.
Hoje, alguns desses assuntos já fazem parte do planejamento urbano real.
De Volta para o Futuro imaginou 2015. O que acertou?
Quando Marty McFly chega a 2015 em De Volta para o Futuro II, encontra uma cidade repleta de tecnologias que pareciam absurdamente distantes para o público de 1989.
Hoverboards e carros voadores chamaram a maior parte da atenção.
Nesse quesito, ainda estamos esperando.
Contudo, o filme também brincava com videocomunicação, dispositivos controlados digitalmente, reconhecimento eletrônico e sistemas cada vez mais automatizados.
Hoje, várias dessas experiências fazem parte do cotidiano.
Casas possuem dispositivos conectados. Pessoas fazem videochamadas do celular. Pagamentos digitais são comuns. Sistemas urbanos também começam a acompanhar equipamentos remotamente.
Na iluminação pública, por exemplo, a telegestão permite monitorar pontos de iluminação a distância, identificar determinadas ocorrências e gerar informações para as equipes responsáveis pela operação.
Não temos hoverboards estacionados na calçada. Mas uma luminária capaz de informar seu próprio funcionamento talvez parecesse igualmente futurista algumas décadas atrás.
Cidades do futuro no cinema: o que Eu, Robô imaginou sobre sistemas conectados?
Eu, Robô se passa em Chicago, em 2035.
Robôs humanoides circulam pelas ruas, executam tarefas e convivem com as pessoas. Naturalmente, essa é a parte mais distante da realidade urbana atual.
Entretanto, existe outra característica interessante naquele universo: a cidade funciona a partir de sistemas fortemente conectados.
Essa ideia está muito próxima de um dos princípios das Smart Cities.
Uma cidade conectada busca fazer com que diferentes infraestruturas gerem e compartilhem informações. Assim, a gestão pode acompanhar serviços e tomar decisões com base em dados.
Hoje já existem aplicações como:
- sensores urbanos;
- câmeras conectadas;
- iluminação inteligente;
- redes de fibra óptica;
- Wi-Fi público;
- sistemas de monitoramento;
- plataformas integradas de gestão.
A comparação tem limites, claro. Uma Smart City real não pretende reproduzir o nível de automação mostrado no filme.
Ainda assim, a lógica de criar sistemas urbanos capazes de trocar informações deixou de ser ficção científica.
Blade Runner e as megacidades: o futuro seria tão vertical assim?
Poucos filmes influenciaram tanto nossa imagem de uma cidade futurista quanto Blade Runner.
Na Los Angeles imaginada pela história, prédios imensos, telas luminosas, tráfego intenso e alta densidade urbana criam uma cidade praticamente inesgotável.
É uma visão propositalmente sombria.
Por outro lado, alguns desafios apresentados pelo filme conversam com questões reais das grandes cidades: crescimento populacional, verticalização, mobilidade, uso intenso de energia e necessidade de administrar infraestruturas cada vez mais complexas.
Quanto maior a cidade, mais difícil se torna acompanhar manualmente tudo o que acontece nela.
É justamente nesse contexto que dados e conectividade ganham importância.
Sensores podem acompanhar condições ambientais. Câmeras podem apoiar o monitoramento de determinadas áreas. Sistemas de iluminação podem ser gerenciados remotamente.
Assim, a tecnologia ajuda gestores a enxergar um território que se tornou grande demais para depender apenas de observação presencial.
O que Dredd mostra sobre o crescimento das cidades?
Em Dredd, grande parte da população vive concentrada em uma enorme área urbana, formada por estruturas residenciais gigantescas.
O cenário é extremo e distópico. Contudo, ele parte de uma questão real: como oferecer infraestrutura para cidades cada vez mais densas?
Quando bairros crescem, surgem novas demandas.
Mais moradores significam necessidade de energia, mobilidade, iluminação, conectividade, segurança, saneamento e serviços públicos.
Por isso, cidades preparadas para crescer precisam pensar sua infraestrutura com antecedência.
Uma tecnologia instalada hoje também deve considerar aquilo que poderá acontecer naquele território daqui a alguns anos.
Esse princípio aparece, por exemplo, em projetos de modernização urbana. Um plano estruturado de infraestrutura e conectividade ajuda a entender de onde as cidades vieram e como a evolução tecnológica mudou sua relação com os espaços urbanos.
O Preço do Amanhã e a tecnologia espalhada pela cidade
Em O Preço do Amanhã, a tecnologia está tão integrada à sociedade que quase deixa de ser percebida.
O filme utiliza essa estrutura para contar uma história sobre desigualdade e controle social. Portanto, não é uma previsão positiva de Smart City.
Ainda assim, existe um aspecto interessante para observar: tecnologias realmente tendem a desaparecer do nosso campo de atenção quando passam a fazer parte da infraestrutura cotidiana.
Pense na internet.
Há algumas décadas, acessar uma rede exigia estar diante de um computador conectado por cabo. Hoje, esperamos conexão em casa, no trabalho, em aeroportos, restaurantes e diversos espaços públicos.
O mesmo começa a acontecer com a infraestrutura urbana.
Câmeras, sensores e dispositivos conectados passam despercebidos para quem circula pela cidade. Contudo, nos bastidores, podem gerar informações importantes para diferentes serviços.
Cidades do futuro no cinema e as Smart Cities reais
O termo Smart City costuma criar uma imagem excessivamente tecnológica.
Entretanto, uma cidade não se torna inteligente simplesmente porque instalou sensores ou câmeras.
Uma Smart City utiliza tecnologia, conectividade e dados para melhorar serviços urbanos, apoiar decisões da gestão pública e responder de maneira mais eficiente às necessidades da população.
A diferença é importante.
Tecnologia é a ferramenta. O objetivo continua sendo resolver problemas concretos.
Por exemplo, um sensor só faz sentido quando a informação produzida por ele será utilizada.
Da mesma forma, centenas de câmeras sem conectividade, operação e planejamento não formam automaticamente um sistema inteligente.
Por isso, as Smart Cities atuais costumam combinar diferentes camadas de infraestrutura.
Sensores urbanos
Sensores podem acompanhar diferentes condições do ambiente.
Dependendo do projeto, eles podem gerar informações relacionadas a clima, níveis de água, qualidade do ar, mobilidade ou funcionamento de equipamentos.
Assim, fenômenos que antes dependiam exclusivamente de observação presencial passam a produzir dados continuamente.
Videomonitoramento inteligente
Câmeras conectadas podem apoiar o acompanhamento de áreas urbanas.
Contudo, o valor do sistema depende da transmissão das imagens, da infraestrutura de comunicação e da existência de uma operação preparada para utilizar essas informações.
Fibra óptica
Se sensores e câmeras geram informações, esses dados precisam circular.
Por isso, redes de fibra óptica ocupam uma posição importante em projetos de cidades conectadas.
Elas podem interligar prédios públicos, equipamentos e diferentes estruturas municipais.
Wi-Fi público
A conectividade também pode chegar diretamente à população.
Pontos de Wi-Fi instalados em praças e outros espaços públicos ampliam o acesso à internet e podem apoiar serviços digitais, turismo e inclusão digital.
Iluminação inteligente
A iluminação pública também entrou nessa transformação.
Com sistemas conectados, gestores podem acompanhar remotamente determinados pontos, receber informações sobre funcionamento e organizar a manutenção com maior precisão.
Assim, uma infraestrutura centenária passa a produzir dados para a administração da cidade.
A cidade conectada já existe no Brasil?
Sim. Projetos brasileiros já integram algumas das tecnologias que costumávamos associar às cidades futuristas.
Em Penha, Santa Catarina, por exemplo, um projeto conduzido pela Quantum Engenharia prevê infraestrutura de fibra óptica para 63 prédios públicos, 13 pontos de Wi-Fi público e integração de 339 câmeras inteligentes de videomonitoramento.
Essas tecnologias cumprem funções diferentes.
Entretanto, quando compartilham uma infraestrutura conectada, criam condições para que serviços públicos funcionem de forma mais integrada.
Essa talvez seja uma das maiores diferenças entre a cidade futurista do cinema e a Smart City real.
Na ficção, frequentemente vemos uma grande tecnologia controlando tudo.
Na prática, cidades inteligentes são construídas aos poucos, conectando sistemas que já existem e incorporando novas soluções conforme as necessidades do município.
O cinema errou ao imaginar carros voadores?
Talvez apenas tenha sido otimista com o prazo.
Carros capazes de voar já existem em projetos experimentais, mas estão muito longe de fazer parte da rotina urbana.
E isso mostra algo interessante sobre previsões tecnológicas.
As transformações que mais mudam nossas cidades nem sempre são as mais chamativas.
Um hoverboard é fácil de perceber.
Uma rede de fibra óptica subterrânea não é.
Um carro voador aparece imediatamente no horizonte.
Uma plataforma que ajuda gestores a cruzar informações sobre diferentes serviços funciona longe dos olhos da maioria das pessoas.
Ainda assim, são justamente essas infraestruturas menos visíveis que estão mudando a maneira como cidades são administradas.
O futuro das cidades talvez seja menos cinematográfico do que imaginamos
Não existem hologramas gigantes dominando todas as avenidas brasileiras. Robôs humanoides ainda não atravessam a faixa de pedestres ao nosso lado.
Contudo, câmeras conseguem transmitir imagens em tempo real. Luminárias podem ser monitoradas remotamente. Sensores coletam informações e redes conectam prédios públicos separados por quilômetros.
Assim, várias ideias que já serviram para representar o futuro começaram a aparecer discretamente no presente.
O interessante é que essa transformação acontece sem necessariamente mudar a aparência das ruas.
Um poste continua parecendo um poste.
Por trás dele, porém, podem existir iluminação LED, conectividade, câmeras ou outros equipamentos integrados à infraestrutura urbana.
Talvez o futuro tenha chegado de uma maneira bem menos cinematográfica.
Perguntas frequentes sobre cidades do futuro no cinema
Quais filmes imaginaram cidades do futuro?
Entre os exemplos mais conhecidos estão Blade Runner, De Volta para o Futuro II, Eu, Robô, Dredd e O Preço do Amanhã. Cada filme apresenta uma visão diferente sobre tecnologia, mobilidade e organização das cidades.
O cinema acertou alguma previsão sobre as cidades atuais?
Sim. Embora muitas tecnologias tenham aparecido de maneira diferente da ficção, sistemas conectados, videocomunicação, automação, sensores, câmeras inteligentes e análise de dados já fazem parte da realidade.
O que é uma Smart City?
Smart City é uma cidade que utiliza tecnologia, conectividade e dados para melhorar serviços, apoiar decisões públicas e tornar a gestão urbana mais eficiente.
Quais tecnologias já existem nas cidades inteligentes?
Entre elas estão sensores urbanos, fibra óptica, Wi-Fi público, videomonitoramento, iluminação inteligente, telegestão e plataformas integradas de gestão.
Existem Smart Cities no Brasil?
Existem diferentes projetos de cidades inteligentes no país. Os níveis de integração variam bastante, já que municípios podem começar por áreas específicas, como iluminação pública, conectividade ou videomonitoramento.
Uma cidade precisa ter tecnologias futuristas para ser inteligente?
Não. A inteligência está na maneira como a infraestrutura e os dados são utilizados para resolver problemas reais da população.
Algumas cenas já ficaram bem menos futuristas
O cinema ainda está na frente quando o assunto são carros voadores, robôs humanoides e hoverboards circulando pelas cidades.
Mas sensores, conectividade, câmeras inteligentes, iluminação monitorada remotamente e sistemas integrados já saíram da ficção.
A diferença é que o futuro real costuma chegar discretamente.
Ele aparece em uma fibra óptica conectando prédios públicos, em uma plataforma que recebe dados de diferentes equipamentos ou em uma luminária que consegue informar remotamente que existe um problema.
Na Quantum Engenharia, essa transformação já aparece em projetos ligados à iluminação pública, conectividade, videomonitoramento e infraestrutura para cidades inteligentes.
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